Portugal não quer ser civilizado
Um país civilizado é, segundo os standards mais altos, um país em que os deveres garantem direitos, onde a concertação das necessidades sociais do seu povo é adaptada à realidade de forma a que o país no seu todo evolua.
Portugal não quer ser civilizado, estamos demasiado preocupados com o nosso umbigo do que com o umbigo da nação, demasiado preocupados com a manutenção dos nossos direitos quando devíamos estar constantemente a exigir a revisão dos nossos deveres.
O português quer ter o direito ao trabalho, mas não quer ter o dever de trabalhar, de ser responsabilizado pela riqueza que cria ou não e de ser devidamente e periodicamente avaliado.
O português quer ter o direito de fazer valer o tempo que passou na empresa só porque lá esteve, não pelo seu dever de ter criado mais-valia à empresa.
O português quer reivindicar os impostos que paga, mas não o dever de ir votar.
A prova cabal disto é que há milhões de portugueses insatisfeitos que não se despedem porque estão à espera do “acordo”, leia-se… indemnização paga principescamente a quem tem muitos anos mas não obrigatoriamente muita produtividade. Escudam-se em frases do tipo “noutro lado ganhava muito mais” mas na verdade estes portugueses sabem que a probabilidade de, feitas as contas, irem ganhar mais é inferior se a isso juntarem a tal indemnização…
E para acabar… pagar impostos não é desculpa para nada. O Estado não é um café onde nos queixamos porque pagamos a bica e esta chega fria ou queimada. O Estado, somos nós.
O Advogado do diabo um dia que seja patrão vais ver que muda logo de opinião… ou então é dos que contrata só estagiários.
O Advogado do Diabo com as cunhas certas, ainda chega a sindicalista.
No fundo queremos a mesma coisa, mas não acreditamos que o efeito das leis sejam os mesmos. Actualmente o problema é não ser fácil despedir incompetentes.
Com a nova lei eu acredito que além dos incompetentes o patronato vai aproveitar-se para despedir quem dá jeito, vocês acreditam que nunca irão ser despedidas pessoas competentes.
Eu acredito que vão ser despedidas as pessoas que não encaixam, seja por competência ou não. Vão haver abusos? Vão claro, mas para todos os efeitos esses abusos já existem de ambas as partes.